bolhas na pele da segunda fase da varicela
2-5 anos,  Saúde

Varicela: ai que comichão!

A varicela – no Brasil, chamam de catapora – é uma doença muito comum nas crianças causada pelo Vírus Varicela-Zoster (VVZ). O lado positivo é que, após tê-la contraído, a pessoa torna-se imune para o resto da vida. Ainda bem, pois, para os adolescentes e adultos, a varicela acarreta riscos bem mais significativos.

Sintomas

Mal-estar e cansaço, perda de apetite, febre baixa e, finalmente, o aparecimento das famosas lesões – aparecem manchas que evoluem para bolhas com aguadilha e acabam por secar e tornar-se crostas (dando imensa comichão) é o quadro do doente infetado com varicela.

Tratamento

Sendo um vírus, pouco há a fazer para além de acomodar os sintomas e esperar que passe. O diagnóstico pelo médico é aconselhado e, caso necessite, este poderá passar o atestado e baixa.

Paracetamol é o habitualmente indicado para abrandar a febre e oferecer alguma melhoria de estado geral, mas, se a criança estiver bem disposta, poderá ser dispensável.

Pode ser equacionada a toma de medicamento antivírico (aciclovir) em alguns casos específicos (por exemplo, em segundos casos da família pois costumam ser mais intensos), por se observar uma ligeira redução do número de dias de febre e do número máximo de lesões. Contudo, estes efeitos são reduzidos e apenas se verificam se a toma ocorrer nas primeiras 24 horas, pelo que não é recomendado o uso em crianças com um sistema imunitário saudável.

As bolhas são a causa principal do desconforto pela imensa comichão que trazem. Mas há formas de aliviar o prurido da varicela.

Não rebentar as bolhas!

  • É importante evitar rebentar as vesículas pelo risco de infeção e da cicatriz que poderá deixar na pele.
  • Cortar as unhas da criança é um cuidado a ter de imediato, bem como tentar sensibilizar a criança para que não coce de forma agressiva.
  • Poderá roçar suavemente a roupa ou um pedaço de tecido pela pele, com a mão aberta (e não com a ponta dos dedos, para evitar arranhar).
  • Os pais podem oferecer-se para coçar em vez da criança, assegurando assim que não são provocados arranhões ou cortes.

Acalmar a coceira

  • A administração de anti-histamínico ajudará no controlo da comichão.
  • Os cremes ou pomadas com Calamina têm uma boa ação calmante da pele (exemplos: Caladryl, Pruriced, Pruriskin).
  • Quando as lesões estiverem em crosta, poderá passar para uma pomada que ajuda à regeneração e cicatrização (exemplos: Cicalfate, Cicaplast).
  • Um banho costuma oferecer um bom alívio. Controle a temperatura da água e do ambiente e, se a criança se sentir bem, o banho pode ser prolongado.
  • Sabe-se que o Leite Materno tem uma ação positiva em várias afeções da pele. Dissolver um pouco na água do banho poderá ter um efeito calmante e regenerador.
  • O amido de milho – mais conhecido como Maizena – tem propriedades calmantes para a pele. Também pode ser adicionado ao banho.

Como se apanha

A varicela é bastante contagiosa e é frequente pela altura da primavera. A transmissão deste vírus pode dar-se:

  • por contacto direto com as borbulhas ou através de objetos contaminados;
  • através das gotículas de saliva expelidas para o ar quando se espirra, tosse ou até fala.

O contágio pode ocorrer desde os 2 dias anteriores à erupção das bolhas até 5 dias após o aparecimento destas. Já a incubação pode demorar até 21 dias, variando com a robustez do sistema imunitário, demorando em média cerca de 15 dias.

Enquanto houver bolhas com líquido, poderá haver algum risco de contágio, pelo que deve ser mantido o isolamento possível evitando sair de casa. A recomendação médica é a de fazer evicção escolar obrigatória durante os 5 dias após a erupção das manchas (também em Diário da República).

Complicações

A varicela é uma das doenças mais comuns na infância, ocorrendo predominantemente entre os 2 e os 8 anos de idade, sendo relativamente rara em recém-nascidos. A evolução da varicela é geralmente benigna e sem complicações. Contudo, em adolescentes e adultos, os sintomas tendem a ser mais intensos. Os riscos de complicações são maiores em pessoas com sistemas imunitários debilitados.

Uma das complicações mais comuns são as infeções da pele. Bem mais rara é a disseminação do vírus para os pulmões e para o sistema nervoso.

É extremamente perigoso quando uma grávida contrai este vírus na fase final da gravidez, pois a infeção fetal poderá causar malformações no bebé. Além disso, tem mais propensão para pneumonite (inflamação do pulmão).

Em crianças, a administração de ácido acetilsalicílico (aspirina) para controlo da febre está ligada ao síndrome de Reye, com implicações neurológicas e hepáticas graves.

Embora a pessoa fique imune após ter varicela, o vírus fica adormecido no corpo, e, mesmo décadas mais tarde, pode dar origem a manifestações ocasionais e localizadas: herpes-zoster ou “zona”. Isto é mais propício em sistemas imunitários enfraquecidos e com o avançar da idade, e afeta entre 10% a 30% da população.

Tanto a varicela-zoster como o herpes-zoster podem provocar nevralgias pós-herpéticas (dor aguda tipo corte) nas zonas afetadas.

Vacina contra a varicela

Há vários anos que está disponível vacina contra a varicela. Contudo, esta não impede completamente a doença, conseguindo antes a atenuação dos sintomas. Além disso, a sua eficácia apenas fica otimizada se houver uma cobertura da população de 80% ou superior, pelo que passará a valer a pena quando for incluída no Plano Nacional de Vacinação. Entretanto, está disponível para prescrição médica e é aconselhada a grupos de risco como:

  • mulheres não imunizadas antes de engravidarem;
  • adultos não imunizados que tenham filhos pequenos;
  • pessoas que tenham contacto frequente com doentes imunodeprimidos;
  • pessoas não imunizadas com profissões de risco (creches, infantários, escolas, hospitais).

Por outro lado, esta vacina não pode ser administrada a:

  • imunodeprimidos;
  • grávidas;
  • bebés com menos de 1 ano;
  • pessoas que tenham feito tratamenos com salicilatos (ácido salicílico, como na aspirina, usado frequentemente em doenças com inflamação como a artrite reumatóide).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *